P&D 2016

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Em Belo Horizonte, de 4 a 7 de Outubro, acontece o Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. Confira a programação aqui

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16 de maio de 1905, Collioure

Quando Henri Matisse chegou a Collioure, em 16 de maio de 1905, em busca de inspiração para suas obras e ficou fascinado pela paisagem, estava a ponto de dar início ao primeiro movimento de vanguarda artística do século XX. A luz do sol tão brilhante do pequeno porto do sul da França, assim como o peculiar equilíbrio entre a grande variedade de cores, deslumbraram seus olhos acostumados à paisagem do norte. O artista arrebatado pela beleza do lugar se entregou a uma arte inovadora, que liberava a representação da paisagem da obrigatoriedade da perspectiva e do papel descritivo das cores. Havia nascido o fauvismo, assim batizado depois que o crítico francês Louis Vauxelles, no Salão de Outono de 1905, cunhou um grupo de artistas de fauves, feras em francês.

Naquele verão, Matisse estava acompanhado do pintor André Derain, um velho amigo com quem havia estudado em Paris, e de sua família. Para identificar as paisagens reais das obras de Matisse e Derain, criadas durante a estadia dos artistas em Collioure, em lugares estratégicos da cidade foram colocadas reproduções das obras.

Vue de ma fenêtre à Collioure, Henri Matisse, 1905, Washington, National Galery

Matisse, sua mulher e seus dois filhos, em sua chegada a Collioure se hospedaram no Hotel de la Gare. Para trabalhar, Matisse alugou uma casa em Port d’Avall.  Ainda se pode reconhecer a janela com a grade em ferro forjado que se encontra em numerosas obras, desde sua primeira vista de 1905,  Vue de ma fenêtre à Collioure. Além do porto, são facilmente reconhecíveis as praias de Voramar e St. Vincent. Desde o Forte Mirador, os telhados de Collioure brilham ainda hoje na forte luz mediterrânea, tal e como brilharam para os dois artistas.

Para impregnar-se totalmente da atmosfera fauve vale a pena ir ao restaurante Les Templiers (que na época se chamava La Fontana), em cujo livro de hóspedes se conserva um desenho de Collioure realizado por Matisse, entitulado Le bonheur des peintres, ou seja, ‘A felicidade dos pintores.’

Restaurante Les Templiers, Colliure

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“Vivia sua pintura e pintava sua vida”

Aluna de Corot, esposa de Eugène Manet, cunhada de Édouard Manet. Sua mãe, Marie-Joséphine-Cornélie era sobrinha-neta de Fragonard. Considerada durante muito tempo como uma acompanhante de Edgar Degas, Claude Monet, Camille Pisarro, Auguste Renoir e Alfred Sisley, foi na verdade integrante essencial do grupo de pintores impressionistas que romperam com a ideia tradicional de pintura em Paris, no final do século XIX.

Berthe Morisot (Bourges, 14 de janeiro de 1841-Paris, 2 de março de 1895) foi muito mais que uma artista coadjuvante no movimento impressionista, foi suficientemente rebelde para triunfar em um mundo reservado aos homens. Suas paisagens, retratos femininos e cenas cotidianas revelam seu protagonismo. É verdade que Morisot contou com ajuda, pois nasceu em uma família da alta burguesia que a educou no gosto pelas artes e na qual também havia pintores.

Espelho de Vestir, óleo sobre tela, 1876

Com esta tela, Morisot participou da Terceira Exposição Impressionista de 1877. A jovem que se veste diante do espelho, reflete sua preocupação pelo estudo da luz e da cor. Uma mulher burguesa e urbana, que demonstra também seu interesse por temas como a moda.

Diante das pinceladas de cores que dão forma a seus jardins e dos delicados nus femininos em atitudes cotidianas, percebe-se a diferença entre o tratamento que seus companheiros pintores davam a esses mesmos temas. Neles, os nus femininos são apresentados desde a perspectiva de um voyeur. Ela os rodeia de um ambiente intimista e cotidiano que facilita a aproximação do público. O poeta Paul Valéry resumia a forma de Berthe Morisot entender a arte: “Vivia sua pintura e pintava sua vida”.

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A mirada implacável de Edward Hopper

Um pintor norte americano do século XX, que embarcou em uma aventura estética solitária, desvinculada de qualquer movimento artístico e contra a corrente abstracionista que reinava na época. Hopper se aportou na figuração e fez de sua arte uma grande crônica sobre a solidão e a incomunicabilidade entre os seres humanos em um século em que vibrava uma atmosfera delirante.

Como Hitchcock em ‘Janela Indiscreta’, sigiloso e invisível, Hopper nos introduz em interiores urbanos para nos mostrar como somos e compartilhar nossa desolação, isolamento e estado de ânimo. O cinema e a publicidade se apropriaram das narrativas do artista chegando a converter seus quadros em ícones globais. De acordo com o livro “Alfred Hitchcock & The Making of Psycho“, de Stephen Robello, o Motel Bates foi modelado com base na pintura ‘House by the Railroad’, pintada em 1925 e atualmente no MoMA em Nova York.

Em seus anos de formação, de 1900 a 1924, Hopper esteve em uma breve estadia em Paris e frequentou o estúdio de Robert Henri na New York School of Art. Suas obras são tão poderosas quanto escassas. O artista produzia não mais que um quadro por ano. Nos últimos tempos de sua vida foi idolatrado e atingiu preços estratosféricos após sua morte, no entanto, foi ignorado pelo público e pela crítica durante muitos anos. Sobreviveu como ilustrador, até que em 1925 sua obra ‘House of the Railroad‘, na figura abaixo, anunciou uma nova fase e inaugurou seu estilo inconfundível, quando começou a se dedicar a seus grandes temas: a vida urbana, a intimidade, o isolamento, a melancolia e a complexidade das relações pessoais.

Edward Hopper, House by the Railroad, 1925. Óleo sobre tela, 61 x 73.7 cm, MoMA

A pintura expressa o tema central de Hopper: a alienação da vida moderna. O principal foco na tela é uma grande casa cinza, um estilo de arquitetura vitoriana que tornou-se moda na América do Norte durante meados do século XIX. Provavelmente, Hopper inventou esta casa tendo como modelo residências da região da Nova Inglaterra, onde costumava passar o verão, e edificações que ele pode ter visto nos Boulevards de Paris.

Se aos nossos olhos a arquitetura vitoriana da casa tem um certo charme, possivelmente no tempo de Hopper ela era considerada uma relíquia desarmoniosa, situada em um lugar árido, em uma era de grandes mudanças. Trazia à lembrança uma época em que apenas algumas famílias possuíam recursos para a construção de uma residência suntuosa, na última moda, em uma paisagem agrária. Talvez a casa tenha sido abandonada e Hopper a apresenta como um emblema duradouro do passado. Os dois temas, o progresso do mundo moderno e a memória histórica se reúnem nessa pintura. A estrada de ferro, em um terreno mais elevado, corta o quadro em dois com uma linha quase paralela à parte inferior e oculta a base da casa, insinuando a necessidade de uma nova fundação para a vida americana. Um sinal de progresso, a estrada de ferro foi o principal agente de mudança industrial e com uma ferrovia correndo tão perto da casa, podemos imaginar e quase ouvir o barulho do trem passando e as janelas trepidando. Mas, apesar dos trilhos de trem serem tipicamente associados a ruído, velocidade e às mudanças da vida moderna, esta cena é curiosamente quieta e silenciosa, como se a onda da industrialização tivesse passado por ela.

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A Vida na Arte: Retrato de um rapaz jovem, segurando um desenho de criança (cerca de 1515), Giovanni Francesco Caroto

Retrato de um rapaz jovem, segurando um desenho de criança (c. 1515)*, Giovanni Francesco Caroto Muitos livros nos contam que, no início do século XX, os artistas buscavam desenhar como crianças: Kandinsky, Klee, Miró… Picasso dizia que ainda bem jovem desenhava … Continuar lendo

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Solo

Não Coube no Caderno

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Nos dias em que a solidão
lembra que existe,
dentro do peito, uma estrofe persiste.

Versos de um poema quase triste.
Rimas que, no vazio, ecoarão
a ausência que ainda insiste.

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20 gravuras para Augusto dos Anjos

Fotos Fernando Biagioni

Foto Fernando Biagioni

Os artistas Luis Matuto e Fábio Martins inauguraram em Belo Horizonte, no dia 23 de setembro, a Exposição ‘Versos de Morte em Tinta Negra | Gravuras para Augusto dos Anjos’.

O poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914) considerado muitas vezes como simbolista ou parnasiano, era identificado pelo crítico e poeta Ferreira Gullar como pré-modernista, pois encontram-se características nitidamente expressionistas em seus poemas.

O expressionismo também estava presente na xilogravura artística no Brasil, nas obras dos artistas Osvaldo Goeldi (1895-1961) e Lasar Segall (1891-1957), nas primeiras décadas do século XX. Ao lado desses artistas floresceu no nordeste do Brasil um grande número de xilógrafos originários de oficinas tipográficas vinculadas, por meio das xilogravuras, à literatura de cordel.

Aos versos de Augusto dos Anjos os jovens artistas Matuto e Martins acrescentaram xilogravuras com fortes traços expressionistas, unindo o poeta à tradição da literatura de cordel de sua terra. Augusto dos Anjos, Goeldi, Segall, xilógrafos anônimos de oficinas tipográficas, Matuto e Martins são gerações de artistas criando laços no tempo e no espaço, entre a palavra escrita e a palavra desenhada.

A exposição fica até dia 14 de outubro, quarta-feira, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade em Belo Horizonte. Aproveitem!

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