Paris, 1897. Londres, 2014.

Em Paris, o Boulevard Haussmann após o cruzamento com a Rue Drouot, passa a ser o Boulevard Montmartre. Nessa interseção havia um hotel que foi destruído, por volta de 1927, devido a reestruturações urbanas. No Grand Hôtel de Russie, Rue Drouot, número 1, Camille Pissarro (1830-1903) alugou um quarto, de fevereiro a abril de 1897, que utilizou como ateliê e onde pintou uma série de 16 telas. Na série registrou de modo sistemático, a partir da janela de seu quarto, a qualidade mutável da luz em diferentes horas do dia no Boulevard Montmartre. Pissarro representou nessas telas as infinitas possibilidades de combinações que oferecem a luz e um tema. O único quadro noturno que o artista pintou, pertence a essa série, na qual trabalhava durante horas a fio e, como se pode supor, pintando várias telas ao mesmo tempo.

Em Londres, 117 anos depois, no dia 5 de fevereiro de 2014, o principal item de um leilão de arte impressionista, moderna e surrealista na Sotheby’s foi um dos quadros dessa série, vendido por 20 milhões de libras (78 milhões de reais). A pintura “Le Boulevard Montmartre, matinee de printemps” é uma cena típica da primavera no famoso Boulevard de Paris, e foi originalmente propriedade do industrial judeu Max Silberberg. Os nazistas forçaram-no a livrar-se de toda a sua coleção, e depois ele morreu no Holocausto. A pintura foi restituída à família no ano 2000.

Camille Pissarro's

Camille Pissarro, “Le Boulevard Montmartre, matinee de printemps”, 1897. Sotheby’s London, 2014

Boulevard Montmartre. Google Street View, 2014.

Boulevard Montmartre. Google Street View, 2014.

Sobre Vânia Myrrha

Vânia Myrrha é arquiteta, professora de História da Arte, da Arquitetura e do Design. Doutoranda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais. Mestre em Arquitetura e Urbanismo - UFMG. Especialista em História da Arte pela PUC Minas. Especialista em Arte Contemporânea pelo IEC - Instituto de Educação Continuada - PUC Minas.
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3 respostas para Paris, 1897. Londres, 2014.

  1. Lais Freire dos Reis disse:

    Oi Vania, estou adorando a frequência dos novos posts! Gostei muito desses dois primeiros! Obrigada e continue, por favor! abraço, Lais Freire

  2. Vânia Myrrha disse:

    Ei Lais, obrigada! Reorganizei a vida e consegui o espaço que tanto gosto para o blog. Estarei postando com frequência. Grande abraço, Vânia

  3. Pingback: Juan Gris e a volta por cima | Cores e Matizes

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