“A vida é o quadro mais bonito. O resto é apenas pintura”.

Kess van Dongen, Cigana, 1911

Kees van Dongen, Cigana, 1911

Fauvista, anarquista e farrista. Assim era Kees van Dongen (1877-1968), pintor holandês que retratou como poucos os loucos anos 1920 em Paris. Por volta de 1904, Van Dongen compartilhou residência com Picasso e outros artistas e escritores, no Bateau Lavoir, nome dado pelo poeta Max Jacob ao aglomerado de pequenos ateliês, construídos em madeira, na Rua Ravignan, 13, em Montmartre, Paris.

No período entre guerras, o artista mudou-se para Montparnasse, onde se tornou um anfitrião de festas badaladas e consagrou-se como pintor de retratos fauvistas do mundo artístico e aristocrático, uma espécie de Andy Warhol na década de 1920.

Os melhores anos do artista foram de 1895 a 1931. O conjunto de sua obra deixa claro seu amor pela “vida, a arte e as mulheres”, que eram retratadas vestidas ou nuas, sempre com enormes olhos pintados de preto. Suas telas representam, em sua maioria, a mulheres sensuais, que transitam desde as classes populares até a burguesia elegante e requintada, coberta de jóias e acessórios.

Kees van Dongen, La vasque fleurie, 1913-17

Kees van Dongen, La vasque fleurie, 1913-17

A mulher retratada em La vasque fleurie, no estúdio do artista, é a Marquesa Luisa Casati, italiana que apresentou Van Dongen a toda Paris.

Kees van Dongen, Portrait of a Woman with Cigarette (Kiki de Montparnasse), 1922-24

Kees van Dongen, Retrato de uma mulher com cigarro (Kiki de Montparnasse), 1922-24

Kiki, nome artístico de Alice Ernestine Prin (1901-1953), durante os anos 20 do século passado, foi a grande musa de Montparnasse, companheira de Man Ray, amiga de Ernest Hemingway e modelo de artistas como Modigliani, Marc Chagall, além de van Dongen.

A partir de 1931, sua obra se tornou repetitiva e nos 37 anos seguintes de sua vida, van Dongen viu o declínio de sua carreira. Um episódio em 1941 colaborou para isso. Uma viagem organizada pelo escultor Arno Breker à Alemanha nazista, cujo convite o artista cometeu o equívoco de aceitar, acabou por colocá-lo fora do círculo artístico em evidência na época.

O artista nunca negou seu gosto pela boa vida e alguns o criticavam chamando-o de “boêmio disfarçado de chique”. Ele os ignorava e dizia: “A vida é o quadro mais bonito. O resto é apenas pintura”.

Sobre Vânia Myrrha

Vânia Myrrha é arquiteta, professora de História da Arte, da Arquitetura e do Design. Doutoranda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais. Mestre em Arquitetura e Urbanismo - UFMG. Especialista em História da Arte pela PUC Minas. Especialista em Arte Contemporânea pelo IEC - Instituto de Educação Continuada - PUC Minas.
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Uma resposta para “A vida é o quadro mais bonito. O resto é apenas pintura”.

  1. Tony Franco disse:

    Lindas obras, suas cores me relaxam. Que delícia olhar pra elas!

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