16 de maio de 1905, Collioure

Quando Henri Matisse chegou a Collioure, em 16 de maio de 1905, em busca de inspiração para suas obras e ficou fascinado pela paisagem, estava a ponto de dar início ao primeiro movimento de vanguarda artística do século XX. A luz do sol tão brilhante do pequeno porto do sul da França, assim como o peculiar equilíbrio entre a grande variedade de cores, deslumbraram seus olhos acostumados à paisagem do norte. O artista arrebatado pela beleza do lugar se entregou a uma arte inovadora, que liberava a representação da paisagem da obrigatoriedade da perspectiva e do papel descritivo das cores. Havia nascido o fauvismo, assim batizado depois que o crítico francês Louis Vauxelles, no Salão de Outono de 1905, cunhou um grupo de artistas de fauves, feras em francês.

Naquele verão, Matisse estava acompanhado do pintor André Derain, um velho amigo com quem havia estudado em Paris, e de sua família. Para identificar as paisagens reais das obras de Matisse e Derain, criadas durante a estadia dos artistas em Collioure, em lugares estratégicos da cidade foram colocadas reproduções das obras.

Vue de ma fenêtre à Collioure, Henri Matisse, 1905, Washington, National Galery

Matisse, sua mulher e seus dois filhos, em sua chegada a Collioure se hospedaram no Hotel de la Gare. Para trabalhar, Matisse alugou uma casa em Port d’Avall.  Ainda se pode reconhecer a janela com a grade em ferro forjado que se encontra em numerosas obras, desde sua primeira vista de 1905,  Vue de ma fenêtre à Collioure. Além do porto, são facilmente reconhecíveis as praias de Voramar e St. Vincent. Desde o Forte Mirador, os telhados de Collioure brilham ainda hoje na forte luz mediterrânea, tal e como brilharam para os dois artistas.

Para impregnar-se totalmente da atmosfera fauve vale a pena ir ao restaurante Les Templiers (que na época se chamava La Fontana), em cujo livro de hóspedes se conserva um desenho de Collioure realizado por Matisse, entitulado Le bonheur des peintres, ou seja, ‘A felicidade dos pintores.’

Restaurante Les Templiers, Colliure

Sobre Vânia Myrrha

Vânia Myrrha é arquiteta, professora de História da Arte, da Arquitetura e do Design. Doutoranda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais. Mestre em Arquitetura e Urbanismo - UFMG. Especialista em História da Arte pela PUC Minas. Especialista em Arte Contemporânea pelo IEC - Instituto de Educação Continuada - PUC Minas.
Esse post foi publicado em Arte, Arte Moderna, Cidades, História da Arte, Memória e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s