A Talha Neoclássica na Bahia

Em abril teremos um pouquinho da Bahia em Belo Horizonte. Aproveitem a oportunidade para conhecer um trabalho único sobre a ornamentação belíssima das igrejas baianas do século XIX.

O curso “A Talha Neoclássica na Bahia” abordará o resultado estético da grande reforma na ornamentação das igrejas ocorrida na Bahia, no século XIX, quando a talha do século XVIII (barroca e rococó) foi destruída e substituída por outra de orientação neoclássica. A reforma foi extremamente ampla levando a alterações arquitetônicas e estilísticas e substituição de materiais. O curso será ministrado pelo professor Dr. Luiz Alberto Ribeiro Freire, da Universidade Federal da Bahia – UFBA, que irá analisar as reformas nas principais igrejas baianas e as razões que as motivaram. Serão ainda apresentadas as tipologias dos retábulos, suas origens simbólicas e formais inventadas na Bahia do século XIX e as relações entre os artistas brasileiros e europeus por meio da circulação de gravuras e seus modelos no ocidente.

O curso está sendo promovido pela Clio Gestão Cultural e Editora dando prosseguimento a suas atividades em eventos culturais na área de história da arte, e acontece entre os dias 22 e 25 de abril de 2015 em Belo Horizonte.

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Seminário Internacional de História da Arte ou ‘um lugar onde o significado da vida se amplia’

Seminário Internacional de História da Arte | UFMG | UEMG | Memorial Minas Vale

Seminário Internacional de História da Arte | UFMG | UEMG | Memorial Minas Vale

“A amizade surge do mero companheirismo quando dois ou mais dos companheiros descobrem que têm em comum alguma percepção ou interesse ou mesmo gostos que os demais não partilham e que, até aquele momento, cada um acreditava ser o seu tesouro ou fardo especial. A expressão típica para começar uma amizade poderia ser algo assim: ‘O quê?! Você também?! Eu pensava ser o único’.”(C. S. Lewis, Os Quatro Amores).

“Você também?!”… Foi o que mais pensei, e em alguns momentos falei, nos últimos três dias em que estive compartilhando ideias, pesquisas e conhecimento no Seminário Internacional de História da Arte onde, nas conversas no café, era mais rápido e mais fácil, identificar as pessoas como: a menina do presépio; a menina das pinturas ilusionistas; a menina dos tabernáculos; o cara da ciência e magia; a menina das torres de Rio Grande; o  cara dos tratados de arquitetura, e assim por diante. 🙂

O evento foi coordenado pelo Prof. Dr. Magno Mello (UFMG) e organizado pela equipe da Clio Gestão Cultural e Editora. Foram apresentadas 33 comunicações por professores e pesquisadores de distintos campos do conhecimento, como história, artes visuais, arquitetura e música.

No encerramento do seminário, a Orquestra Minas Barroca, da Universidade do Estado de Minas Gerais, interpretou músicas do século XVIII, além de me proporcionar uma grata surpresa, a alegria de reencontrar ex-alunos, que se tornaram amigos muito queridos.

Total renovação de energia em dias repletos de experiências de “Você também?!”. Porque no fundo, no fundo, encontrar um amigo, descobrir a grandeza do outro e compartilhar é alcançar o que todos desejamos: um lugar onde o significado da vida se amplia.

Regiane Caire Silva | UFMA | A gravura nos livros de botânica: do preto e branco ao colorido

Regiane Caire Silva | UFMA | ‘A gravura nos livros de botânica: do preto e branco ao colorido’

Orquestra Minas Barroca - Rafael Marcenes, Cesar Augusto, Antonio Marcos Baptista, Wolney Garcia, Geovane Paiva, Antonio Magalhães, Aluisio Delane, Guilherme Matozinhos da Silva e Domingos Sávio Lins Brandão.

Orquestra Minas Barroca – Rafael Marcenes, Cesar Augusto, Antonio Marcos Baptista, Wolney Garcia, Geovane Paiva, Antonio Magalhães, Aluisio Delane, Guilherme Matozinhos da Silva, Rodrigo Firpi, João Ribeiro, Laila Farinha, Weverton Santos, Mariana Redd, André Felipe e Domingos Sávio Lins Brandão.

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Seminário Internacional de História da Arte em Belo Horizonte

Seminário Internacional de História da Arte

Seminário Internacional de História da Arte

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4º Encontro ‘Com Legenda’ na Escola de Design | UEMG

4 encontro

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E agora, Kandinsky?

Hilma af Klint (1862-1944)

Hilma af Klint (1862-1944)

Na eterna discussão de quem foi o primeiro artista a chegar à abstração, alguns sustentam que o mérito foi de Mondrian. Outros apoiam Malevich, Kupka e Delaunay. Mas, a grande maioria defende a ideia de que foi Kandinsky quem deu o passo decisivo. O próprio pintor se autoproclamava como o primeiro autor de um quadro não figurativo, por volta de 1911.

O que nenhum deles sabia era que uma desconhecida pintora sueca rompeu com a linguagem figurativa em 1906, cinco anos antes deles. Seu nome era Hilma af Klint (1862-1944), uma pintora de paisagens e retratos. Formou-se em pintura na Royal Academy Of Fine Arts em 1887, em Stockholm, graças a uma lei escandinava que permitia o acesso de mulheres à educação artística bem antes da França, Alemanha ou Itália. Hilma ganhava a vida vendendo paisagens naturalistas e desenhando estudos anatômicos para a escola de veterinária. Mas isso não era tudo o que Hilma sabia fazer. Em seu estúdio, experimentava outros tipos de pinturas. Interessada por teosofia desde a sua juventude, desenhava círculos concêntricos, formas ovais e espirais sem fim, que pretendiam simbolizar o cosmos. Algumas vezes pintava sob o efeito de hipnose. Hilma pertencia  a um grupo de mulheres pintoras, The Five, que se reunia uma vez por semana para a prática de esoterismo e para desenhar em estado de semiconsciência. Antes do final de 1915, quando a abstração se tornara evidente nas elites intelectuais, Hilma já havia pintado mais de 200 composições abstratas.

Sua história permaneceu desconhecida por uma razão simples: a pintora morreu sem ter exposto qualquer de suas pinturas abstratas. A própria artista pediu para que suas obras não fossem expostas até pelo menos 20 anos após a sua morte, que ocorreu em 1944, aos 81 anos. Ela estava convencida de que o mundo não estava preparado para ver o seu trabalho, talvez por ter enfrentado a incompreensão daqueles com quem convivia.

Obras de Hilma af Klint

Obras de Hilma af Klint em Moderna Museet Stockholm em 2013

Até o momento, o seu nome permaneceu em uma esfera restrita, embora não fosse completamente desconhecida. Algumas de suas pinturas já foram expostas em Los Angeles, New York, Paris e Málaga. Em 2012, o diretor do Moderna Museet, em Stockholm, recebeu uma caixa de madeira que continha óleos, aquarelas, estudos botânicos de plantas, flores e sementes, diagramas matemáticos incompreensíveis e mais de 100 cadernos que documentam seu processo criativo. É difícil entender por que ninguém prestou atenção à sua obra por décadas. Hilma não tinha filhos e deixou tudo para um sobrinho que nunca acreditou que o que aquela mulher excêntrica pintava tivesse valor. Seu trabalho invalida o estereótipo de que as mulheres artistas, em sua época, eram capazes de copiar, mas não de abrirem novos caminhos.

Hilma af Klint, The Svan, 1915

Hilma af Klint, The Svan, 1915

Para saber mais sobre Hilma af Klint assista ao vídeo:

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“A vida é o quadro mais bonito. O resto é apenas pintura”.

Kess van Dongen, Cigana, 1911

Kees van Dongen, Cigana, 1911

Fauvista, anarquista e farrista. Assim era Kees van Dongen (1877-1968), pintor holandês que retratou como poucos os loucos anos 1920 em Paris. Por volta de 1904, Van Dongen compartilhou residência com Picasso e outros artistas e escritores, no Bateau Lavoir, nome dado pelo poeta Max Jacob ao aglomerado de pequenos ateliês, construídos em madeira, na Rua Ravignan, 13, em Montmartre, Paris.

No período entre guerras, o artista mudou-se para Montparnasse, onde se tornou um anfitrião de festas badaladas e consagrou-se como pintor de retratos fauvistas do mundo artístico e aristocrático, uma espécie de Andy Warhol na década de 1920.

Os melhores anos do artista foram de 1895 a 1931. O conjunto de sua obra deixa claro seu amor pela “vida, a arte e as mulheres”, que eram retratadas vestidas ou nuas, sempre com enormes olhos pintados de preto. Suas telas representam, em sua maioria, a mulheres sensuais, que transitam desde as classes populares até a burguesia elegante e requintada, coberta de jóias e acessórios.

Kees van Dongen, La vasque fleurie, 1913-17

Kees van Dongen, La vasque fleurie, 1913-17

A mulher retratada em La vasque fleurie, no estúdio do artista, é a Marquesa Luisa Casati, italiana que apresentou Van Dongen a toda Paris.

Kees van Dongen, Portrait of a Woman with Cigarette (Kiki de Montparnasse), 1922-24

Kees van Dongen, Retrato de uma mulher com cigarro (Kiki de Montparnasse), 1922-24

Kiki, nome artístico de Alice Ernestine Prin (1901-1953), durante os anos 20 do século passado, foi a grande musa de Montparnasse, companheira de Man Ray, amiga de Ernest Hemingway e modelo de artistas como Modigliani, Marc Chagall, além de van Dongen.

A partir de 1931, sua obra se tornou repetitiva e nos 37 anos seguintes de sua vida, van Dongen viu o declínio de sua carreira. Um episódio em 1941 colaborou para isso. Uma viagem organizada pelo escultor Arno Breker à Alemanha nazista, cujo convite o artista cometeu o equívoco de aceitar, acabou por colocá-lo fora do círculo artístico em evidência na época.

O artista nunca negou seu gosto pela boa vida e alguns o criticavam chamando-o de “boêmio disfarçado de chique”. Ele os ignorava e dizia: “A vida é o quadro mais bonito. O resto é apenas pintura”.

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Juan Gris e a volta por cima

Juan Gris, 'Still life with checked tablecloth', 1915

Juan Gris, ‘Still life with checked tablecloth’, 1915

Juan Gris (1887-1927) era um artista gráfico e pintor espanhol atuante principalmente em Paris, onde se estabeleceu em 1906. Tanto quanto Picasso ou Braque foi um artista especialmente relevante para o Cubismo, porém pouca menção se faz ao artista. A  partir de 1913, Gris passou a desenvolver desenhos ‘matemáticos’, estudos preparatórios para suas telas utilizando instrumentos geométricos (réguas, esquadros e compassos), indicando um desejo de sistematizar o procedimento cubista e sedimentando o chamado cubismo sintético.

Era um pacifista. Durante os anos de guerra, continuou produzindo lenta e constantemente. Por não ter prestado serviço militar era considerado um ‘fugitivo’, não podendo retornar à Espanha, assim como seu compatriota Picasso. Em 1915, quando pintou Still life with checked tablecloth, o artista estava na França. Percebe-se que Gris sabia do potencial dos jornais, visíveis em numerosas telas cubistas pintadas durante a guerra, quando ele pintou cuidadosamente a manchete:  ‘Official Communiqués’ no jornal fictício em Still life with checked tablecloth. Na mesma época o artista escreveu em uma carta a um amigo: “Eu nem estou gostando de ler jornais, porque estou muito impressionado e aterrorizado pelo que está acontecendo.”

Em 1921, no Hôtel Drouot (vizinho ao hotel onde Camille Pissarro pintou a série do Boulevard Montmartre, em 1897), Kahnweiler, o marchand de Gris, leiloou algumas de suas obras, que na época foram arrematadas a preços inferiores às obras de todos os outros artistas, entre eles Picasso, Léger, Derain, Vlaminck e Van Dongen. Agora Juan Gris deu a volta por cima. Sua pintura Still life with checked tablecloth surpreendeu o mercado de arte atingindo o preço de 34,8 milhões de libras (137 milhões de reais), um valor inédito para Gris, e o maior valor alcançado entre todas as obras leiloadas na Sotheby’s e na Christie’s, na semana passada.

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