A História da Arte e A Arte em Estúdio

℘ Andréa Bahury

Henri Matisse, A Mesa Posta, 1897 — Pablo Picasso, Pablo vestido de Arlequim, 1925

Utilizando a concepção de arte como um fazer e também como forma de se expressar e inspirada nas obras A Mesa Posta de Henri Matisse e Pablo Vestido de Arlequim de Pablo Picasso, resolvi retratar um pouco do meu cotidiano adornando-o com cores nesses tão sombrios tempos… Arrumar a mesa é algo que me dá um prazer estético e assim que vi a pintura A Mesa Posta me ocorreu que seria possível, eu que me sinto tão privada de habilidades manuais, utilizar a imagem como referência para colocar a minha mesa como foco de outro olhar, não por meio da pintura ou do desenho, mas do próprio ato de arrumar, de escolher os pratos, as taças, os talheres, a jarra, a fruteira, a maçã vermelha, o vaso campestre com flores e tudo com cor, muita cor, porque sinto a necessidade de alegria, de vida, de pulsão. O quadro de Matisse A Mesa Posta não tem assim tantas cores e são cores mais suaves, mais sombrias, em tons até mesmo pastéis, diferente de suas obras posteriores, mais luminosas e coloridas. Mas desejava a minha mesa posta com variedade de cores, com azul, amarelo, verde, vermelho, vinho, com cores fortes e ao mesmo tempo suaves, com cores se misturando com harmonia e serenidade. Montei primeiramente a mesa com os coloridos objetos, fotografei e após resolvi me inserir nessa montagem, com o meu macacão colorido, meu macacão de arlequim que tanto gosto e que me traz alegria. E me inseri na preparada cena com um bule de flores, evocando a mulher presente na pintura A Mesa Posta e também Pablo Vestido de Arlequim. Aquela criança, Pablo, filho de Picasso, com uma roupa tão alegre, mas quieta, encostada na cadeira, com um olhar distante e pensativo e, ao mesmo tempo, cheio de vida… Retratado revelando uma seriedade pouco comum em crianças e talvez até mesmo certa tristeza, apesar da vivacidade transmitida…

Ao desmontar a cena uma taça se quebrou, uma taça azul, e aconteceu sobre um prato azul, julguei que deveria fazer parte da arte do fazer, pois o acaso também tem capacidade construtiva. Enfim, aqui vai um pouco de mim e do meu cotidiano nesses tempos sombrios de pandemia, mas que certamente também nos iluminam, basta que saibamos colocar cores e a arte se torna nossa companheira, lugar de refúgio e vida…

 

Sobre Vânia Myrrha

Vânia Myrrha é arquiteta, professora de História da Arte, da Arquitetura e do Design. Doutoranda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais. Mestre em Arquitetura e Urbanismo - UFMG. Especialista em História da Arte pela PUC Minas. Especialista em Arte Contemporânea pelo IEC - Instituto de Educação Continuada - PUC Minas.
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